O nanometro, esse injustiçado!

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Sílaba tônica de uma palavra é aquela pronunciada com som mais forte, sobre a qual “acentuamos a tonicidade”. As palavras proparoxítonas, ou seja, aquelas cujo acento tônico ocorre na antepenúltima sílaba, recebem um sinal gráfico justamente para indicar que essa sílaba deve ser pronunciada mais fortemente, como na palavra “sílaba”, por exemplo.

Não estranhe! O Almanaque não resolveu dar aulas de língua portuguesa. Acontece que a falta de informação na hora de escrever e pronunciar alguns termos da metrologia acaba causando confusão, e as principais vítimas são justamente as mais indefesas: O pequeno micrometro e o minúsculo nanometro. Vamos, confesse que você, por um momento, sentiu falta do acento circunflexo em ambas essas palavras. Pois é aí mesmo onde queremos chegar.

Micrometro (pronuncia-se micrométro) e micrômetro significam coisas distintas. O micrometro é uma palavra formada pelo prefixo “micro” mais a unidade de comprimento “metro” e representa a milionésima parte do metro.   Por outro lado, o micrômetro é um instrumento de medição linear que serve para medir coisas muito pequenas.

Micrômetro, instrumento de medir.

Já o nanometro, coitadinho, talvez por ser tão pequeno, é sempre desrespeitado.Todo mundo resolve chamá-lo por nanômetro! A palavra nanometro (pronuncia-se nanométro), como acontece com o seu companheiro micrometro, é formada por um prefixo, o “nano” somado à unidade SI de comprimento, o “metro”, e representa a bilionésima parte do metro. Há pouco tempo, aliás, ninguém se lembrava desse submúltiplo do metro, até surgir a hoje famosa nanotecnologia. E nanômetro, será um instrumento de medir, assim como o micrômetro? Nada disso, a menos que passemos a chamar os microscópios eletrônicos de varredura por esse nome.

Nanotubo de carbono. Estruturas como essa colocaram a palavra “nanometro” no mapa linguístico, porém com a pronúncia e grafia incorretas.

Essa confusão toda, entretanto, é até compreensível. Nós brasileiros gostamos de pronunciar certas palavras, sobretudo as de origem grega, acentuando a antepenúltima sílaba. Porém, quando formamos os múltiplos e submúltiplos do Sistema Internacional de Unidades devemos obedecer à regra segundo a qual basta colocar o prefixo (quilo, mili, mega, deca, etc.) à frente do nome da unidade, sem alterar a grafia ou a pronúncia. As exceções já consagrados pelo uso são: quilômetro, hectômetro, decâmetro, decímetro, centímetro e milímetro. Não devemos nos espantar se, um dia, a equivocada forma “nanômetro” suplantar “nanometro” e a substituir. A língua é viva e evolui… Mas, por enquanto, o melhor é utilizar a grafia e a pronúncia corretas.

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5 Respostas to “O nanometro, esse injustiçado!”

  1. João Victor Schiavo (Peixe) Says:

    Que delícia de artigo. Muito obrigado por tê-lo escrito.

  2. Yo Says:

    O problema é que outras variações do metro são proparoxítonas, como: quilômetro, decâmetro, decímetro etc. Muito confuso, isso.

  3. Yo Says:

    O problema é que outros variações do metro são proparoxítonas, como: quilômetro, decâmetro, decímetro etc. Muito confuso, isso.

    • Montini Says:

      Sim, de fato, conforme comentamos no post, as formas mais conhecidas de múltiplos e submúltiplos do metro são proparoxítonas. Mas são as excessões que confirmam a regra… É um pouco confuso, mas é assim que é…
      Obrigado pelo comentário.

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