A Metrologia da História

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Temos falado muito, aqui no blog, sobre história da metrologia. Afinal de contas a metrologia é o nosso mister. Neste post, porém, vamos abordar um aspecto pouco comum mas não menos interessante: A metrologia da história.  Isso mesmo, história também se mede, e a grandeza física mais indicada para isso é, naturalmente, o tempo. Estamos habituados a lidar com o tempo cotidiano, este que é medido em minutos, horas, dias, anos… A história, entretanto, utiliza uma escala consideravelmente maior de tempo, principalmente quando se refere à história do planeta, ou seja, àquilo que ocorreu ao longo das eras geológicas.

Quando se trata da história das civilizações, o historiador costuma se valer dos documentos que lhe caem nas mãos. Porém, quanto mais distante no tempo estiver o fato histórico, mais difícil datá-lo. Por isso a ciência moderna utiliza métodos de datação bastante sofisticados e que eram inacessíveis há bem pouco tempo.

Vamos falar de um dos métodos radio-isotópicos mais conhecidos, o famoso método do Carbono 14.  Mas antes disso é  preciso relembrar um pouco da teoria da coisa. Os átomos dos elementos químicos são formados por elétrons, prótons e nêutrons. Em qualquer elemento químico o número de nêutrons pode variar. Quando um elemento perde ou ganha um nêutron, nós o chamamos isótopo. Assim, um mesmo elemento pode ter mais de uma forma isotópica. O hidrogênio, que é o mais leve dos elementos,  tem apenas um elétron e um próton. Sua massa atômica é 1 (um) pois a massa do elétron é despresível. Entretanto, se  ganhar um neutron, a massa atômica  do hidrogênio passa a ser 2 (dois) e esse isótopo recebe o nome de deutério. Se ganhar mais um neutron passa a ter massa atômica 3 (três) e recebe o nome de trítio. Mas veja só: Os isótopos que tem mais neutrons do que  prótons são instáveis, quer dizer, sofrem decaimento radioativo e se transformam em outro elemento. Esses isótopos são chamados isótopos radioativos, como não poderia deixar de ser!  Acontece que nós conhecemos o tempo que um dado isótopo radioativo demora para se transformar em outro elemento. Pois bem, o Carbono tem três isótopos naturais: o Carbono 12, o Carbono 13 e o Carbono 14. Dos três, apenas o Carbono 14 é instável . Como todo organismo tem carbono, o isótopo C14 é o mais indicado para datar qualquer coisa orgânica, desde um pedaço de tecido ou madeira até um osso. Enquanto o organismo está vivo absorve C14. Quando morre, deixa de absorvê-lo, e então o C14 presente naquele organismo começa a decair e  a se transformar em Nitrogênio 14!! Pronto, o relógio começa a funcionar. O problema é que a meia-vida do C14 é de 5730 anos, ou seja, não dá para usá-lo em coisas muito antigas. Para datar rochas ou fósseis muitíssimo antigos existem outros métodos, como o Potássio-Argônio ou o Urânio-Tório-Chumbo.

Espectrômetro para radioisótopos

Os métodos de datação podem ser de quatro tipos:  Os métodos radio-isotópicos se baseiam na taxa de desintegração atômica de
uma amostra, como no caso do Carbono 14. Os métodos paleomagnéticos investigam os padrões magnéticos decorrentes da inversão dos pólos magnéticos ao longo da eras. Os métodos químicos, orgânicos e inorgânicos, se valem das alterações químicas que uma amostra sofre com o tempo. Finalmente, os métodos biológicos consideram as diferentes taxas de crescimento de organismos para datação do substrato sobre o qual este viveu. Todos eles, entretanto, envolvem muita metrologia de ponta.

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