Terremotos, Tsunamis e Metrologia

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Um terremoto é um movimento que ocorre na crosta terrestre causado por um impacto, e esse impacto pode ter como origem o acomodamento de grandes rochas no subsolo, a explosão de um vulcão ou atrito entre placas tectônicas. Acomodamentos de rocha causam tremores de pequena intensidade e pouca extensão, enquanto terremotos causados por vulcões em erupção podem atingir intensidades e extensões bem maiores. Já os terremotos causados pelo atrito de placas tectônicas podem atingir os maiores níveis de intensidade e propagação, causando devastação em grandes áreas e, até, tsunamis.

As placas tectônicas.

O atrito entre placas ocorre, geralmente, nas chamadas zonas de subducção, que é onde duas placas que se opõem acabam deslizando uma sob outra. Esse deslizamento não é assim tão suave quanto parece: Placas tectônicas têm extensões continentais e espessura de dezenas de quilômetros. Assim, quando uma placa que deveria mergulhar sob outra “enrosca” por algum motivo e interrompe o movimento, a pressão aumenta e a energia se acumula.

Essa situação pode durar por séculos, até que de repente o obstáculo cede e a energia acumulada durante longo tempo é liberada toda de uma vez, causando um imenso impacto nessas placas. O impacto se propaga em ondas (as famosas ondas sísmicas) à grande velocidade pela rocha, até atingir a superfície e causar o terremoto. Quando a zona de impacto fica no oceano, as ondas sísmicas se propagam das rochas para a água e causam o tsunami.

Onde entra a metrologia?

Ainda não dispomos de tecnologia para prever quando um terremoto irá ocorrer. Embora já se saiba bastante sobre a gênese desse fenômeno, não se pode fazer muito além de medir as ondas sísmicas que ocorrem antes, durante e depois de um grande terremoto. É aí que entra a metrologia. As ondas sísmicas são detectadas com o sismógrafo. É possível medir a intensidade, a velocidade e a direção dessas ondas, além da massa específica das rochas e a sua rigidez. Isso permite prever, por exemplo, os efeitos que um grande terremoto pode acarretar a regiões distantes do seu epicentro, e avisar as pessoas sobre esses efeitos. Um tsunami provocado por um grande terremoto, por exemplo, pode atravessar os oceanos a velocidades de mais de mil quilômetros por hora. Conhecer a velocidade de propagação das ondas sísmicas na água, além da direção e tempo para que o tsunami atinja um continente, é vital para as pessoas que moram na orla marítima.

E aqui no Brasil, precisamos nos preocupar com terremotos e tsunamis?

O Brasil está situado bem no meio de uma das grandes placas tectônicas, de modo que fica longe das zonas de subducção (onde as placas mergulham umas sob as outras). Ou seja, os efeitos de terremotos ocorridos nesses lugares são pouco percebidos por aqui.

Por outro lado, as rochas que formam a placa continental brasileira são muito antigas e não comportam vulcões ativos. Além disso, estamos longe dos vulcões da região dos Andes.

Desse modo, a maioria dos tremores que percebemos é gerada por acomodamento de rochas ou como reflexo de terremotos cujo epicentro fica a milhares de quilômetros de onde estamos. Por isso, a possibilidade de sofrermos um terremoto importante é muito, muito pequena. Com os tsunamis acontece a mesma coisa. Eles acontecem com freqüência no Oceano Pacífico, pois este é cercado por zonas de subducção e por vulcões.

O Brasil fica de frente para o Oceano Atlântico, que ao contrário do Pacífico é uma zona de afastamento de placas e é pouco sujeita a gerar terremotos e os tsunamis a eles associados. Seria possível, em tese, que um vulcão da costa africana gerasse um tsunami que atravessasse o Atlântico e atingisse a nossa costa, mas essa possibilidade é, também, muito remota.

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2 Respostas to “Terremotos, Tsunamis e Metrologia”

  1. douglas Says:

    não encontrei o que precisava porque o casal de brasileiros sobreviveram ao tsunami resposta científica

    • pmontini Says:

      Caro Douglas,
      Se entendi a sua pergunta, você quer saber porque um casal de brasileiros sobreviveu ao tsunami, e espera uma resposta científica para isso.
      Bem, muita gente que estava no local do fenômeno sobreviveu ao tsunami, e os motivos são os mais variados. Seria necessário conhecer uma grande quantidade de detalhes para apontar as causas que levam alguém a escapar de um acidente, ou NÃO escapar de um acidente. A geologia pode explicar razoavelmente bem como é gerado um tsunami desse tipo, mas não se manifesta quanto aos casos individuais. Temo que a sua pergunta fique sem resposta…
      Obrigado pela consulta.

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