Sem padrão não há medição

by

 Um padrão é uma convenção. É um modelo, um tipo que se toma como base para reproduzir algo de mesma natureza. Para reproduzirmos uma coisa “em série” precisamos seguir um modelo. Esse modelo “original” do qual se farão cópias, seja de maneira manual, mecânica ou eletrônica, é um padrão. Dizemos que as coisas são padronizadas quando são tão semelhantes entre si que nos parece serem iguais. O ideal na padronização é que as cópias se aproximem o mais perfeitamente possível do seu padrão.

Até aqui, tudo bem. Estamos imaginando um padrão concreto, que pode ser um objeto como um copo, uma gravura, uma cadeira, ou mesmo a imagem de um objeto.

Entretanto, também é possível reproduzir um texto, por exemplo, e nesse caso estaremos reproduzindo uma idéia. E podemos, ainda, reproduzir um conceito, e nesse caso estaremos lidando, entre outras coisas, com os padrões metrológicos.

Sim, a maioria dos padrões metrológicos é conceitual. São fórmulas, enunciados de física que podem ser reproduzidos em laboratórios bem equipados. Atualmente, o único padrão metrológico que ainda é um objeto é o “protótipo internacional do quilograma”.

Padrões são fundamentais em metrologia. Qualquer medição, por singela que seja, necessita de um padrão metrológico. Naturalmente, e como acontece com todo e qualquer padrão, os padrões metrológicos nunca são reproduzidos perfeitamente. O grau de aproximação da cópia com o padrão primário é que o define como padrão secundário, terciário e assim por diante. A qualidade metrológica de um padrão é determinada pelo grau de aproximação com o conceito que o define. Mas não é só isso. O padrão metrológico é utilizado como referência para avaliar quantidades. São referências conceituais materializadas que avaliam as propriedades físicas dos corpos, e não os próprios corpos. Complicado? Vamos supor que queremos criar um padrão de duração. Podemos construir um relógio, por exemplo, mas nesse caso precisaríamos criar, antes, um padrão de tempo como o minuto, a hora, o segundo…O relógio é só um instrumento que reproduz o padrão conceitual. Podemos, entretanto, criar um padrão arbitrário, desde que isolemos algum fenômeno que se reproduza com a mesma duração. Uma ampulheta, por exemplo, é um padrão de duração. A areia em uma ampulheta escoa num determinado tempo, não importando se esse tempo é traduzível ou não em minutos, horas ou segundos. Da mesma forma, podemos criar padrões de comprimento, de volume ou de massa (peso) apenas construindo objetos que representem essas grandezas físicas.

Na verdade, mesmo que hoje a ciência metrológica já tenha desenvolvido padrões, metodologias e instrumentos de medição extremamente sofisticados, a habilidade de criar padrões de medição permanece, e a ela ainda recorremos quando usamos o palmo, por exemplo, como medida rústica de comprimento.

Anúncios

Tags: ,

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s


%d blogueiros gostam disto: