Medições Fabulosas: O Pirarucu e o Poraquê

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A luz do sol, coada entre a folhagem, atravessava a plácida superfície do igarapé até dissolver-se em reflexos de verde e castanho. Em baixo, passeando o seu volumoso corpo escamado, um pirarucu de mais de dois metros e quase duzentos quilogramas começava a emergir.

Os pirarucus precisam completar o seu processo de respiração inalando ar diretamente da atmosfera, e esse gigantesco camarada ia justamente fazer isso, sem se preocupar com eventuais predadores. Afinal, nem mesmo os jacarés se metiam com ele. Contudo, mal começara a subir, deu de cara com outro peixe que, imergindo, veio ao seu encontro.

– Sai pra lá – falou o pirarucu em tom autoritário – quando subo para respirar os outros peixes se afastam!

– Ah… Tá! E qual seria o motivo? Só porque você é grande, forte e mau? Ou será porque você se acha o rei do pedaço?

– Sou tudo isso – respondeu o pirarucu – E ainda por cima gosto de comer enguias engraçadinhas como você.

– Que sujeito mal-humorado!  Eu também preciso ir respirar lá em cima, mas nem por isso fico irritadinho!

–  Vaza, cobra d’água abusada! Você não vai gostar de me ver “irritadinho”.

– Fique sabendo que eu não sou enguia nem cobra-d’água! Sou um Poraquê. E é você que precisa ficar esperto aqui. Não me custa nada lhe dar um cutucão de 500 volts.

– Quinhentos o quê? – Perguntou o pirarucu, que não sabia nada de unidades de medir.

– Volts, meu chapa, volts! E sou capaz de tensões elétricas ainda maiores.  Mas se você preferir ampère, que é intensidade de corrente elétrica, também tenho disponível. Que tal uns dois ampères nesse seu nariz empinado?

– Pois venha com os seus volts e ampères – retrucou o pirarucu –  Aqui ninguém me ameaça! Eu…

O pirarucu não terminou a frase. Levou uma descarga no focinho que o deixou completamente atordoado. Mal conseguiu subir à superfície para respirar.

– Sorte sua que peguei leve! – zombou o poraquê, e completou: – Energia elétrica custa caro, meu velho, não dá pra desperdiçar com qualquer pacu que aparece…

Moral da história: Em rio que tem poraquê, pirarucu é pacu.

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8 Respostas to “Medições Fabulosas: O Pirarucu e o Poraquê”

  1. Lourenço Laurelli Says:

    “eletrizante” e “chocante”, Pedro!!!
    Que tal utilizar os poraquês, em criações gigantescas e acabar com a crise energética no Brasil…………limpa, renovável mesmo de baixo d’água..rsrsrsrs.! Dá a ideia pra Dilma!!!!!!!!!!
    Abraços!!!!!!!

  2. Paulo Sérgio Bispo de Azevedo Says:

    Pedrão, mais uma vez destilando sua sabedoria que lhe é peculiar.
    Existe outros ensinamentos neste post : Quem não é o maior tem que ser o melhor ; Tamanho não é documento e outros.
    Mais uma Pedrão, parabéns

  3. Gustavo Says:

    A potência da enguia é considerável…
    abçs

  4. anajacobitti@bol.com.br Says:

    Conhecimento e cultura andam juntos

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