Medições fabulosas – O Fungo e a Bactéria

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fungobacteria

As bactérias são esses bastõezinhos e o fungo é essa estrutura maior. Não estão em escala.

Era uma vez uma bactéria que vivia tranquilamente numa colônia de Lactobacilli. Ela e o restante da comunidade haviam acabado de criar o belo queijo onde habitavam, quando um numeroso grupo de fungos Penicillium apareceu por lá. A bactéria não gostou nada daqueles penetras na sua festa.

– Que negócio é esse, Senhores Fungos? Que fazem aqui? Quem convidou vocês?

– Calma, Dona Bactéria, somos decoradores. Este queijo recém produzido ganhará uma bela coloração azul esverdeada, típica de um legítimo roquefort. Estamos aqui para ajudar…

– Isso é conversa fiada! Nós não precisamos da ajuda de nenhum mofo para fazer o nosso trabalho. Aliás, se é apenas para decorar, não precisava vir tanta gente. Em quantos vocês estão?

– Quantos? Ora, essa é uma pergunta difícil. Você sabe muito bem como somos diminutos e numerosos, e que não existe maneira de expressar quantos somos. Aliás, o mesmo se dá com a sua espécie, não é mesmo?

– Engano seu, Levedura invasora!

– Bolor! Por favor, sou um bolor! – Reclamou o Penicillium roqueforti.

– Esta bem, Fungo, não precisa fungar! Mas existe, sim, uma maneira bastante eficaz de expressar quantidades desse tipo. Basta recorrer ao mol.

– O mol? – Admirou-se o fungo.

– Sim! – Atalhou a bactéria –  O mol é a quantidade de matéria de um sistema que contém tantas entidades elementares quantos são os átomos contidos em 0,012 quilograma de carbono 12.

– Espere um pouco! – disse o fungo –  Se não me engano, 12 gramas de isótopo de carbono 12 contém 6.022 × 1023 átomos, ou seja, é a famosa constante de Avogadro!

– Isso mesmo! Até que para um fungo você é bem informado.

– Ora! Os fungos são muito cultos. Onde existem livros, lá estamos nós. Adoramos as bibliotecas.

– Nós também valorizamos a cultura – vangloriou-se a bactéria – Todos conhecem as famosas culturas bacterianas… Mas voltando ao assunto, para usar o mol é preciso deixar claro qual é a entidade elementar que se está contando: Átomos, moléculas, fungos…

– Mas os fungos são seres vivos, não são meras coisas! – Protestou o fungo.

–  Para mim isso não tem importância! – Retrucou a bactéria –  O mol funciona mais ou menos como a dúzia. Se eu quiser, posso falar em uma dúzia de grãos de areia ou um mol de grãos de areia; posso falar em uma dúzia ou um mol de moléculas de água, de átomos de enxofre… O mol é isso: Uma quantidade muitíssimo grande de qualquer coisa muitíssimo pequena.

– Sinto muito, mas acho que o mol só é usado em química, em estequiometria! Nunca ouvi falar em expressar quantidades de fungos ou qualquer outro ser vivo usando o mol. Acho que nem mesmo os vírus, que nem sequer são entes vivos, costumam ser quantificados dessa maneira.

Alguns vírus micófagos que estavam por ali de bobeira ouviram a conversa e sentiram-se ofendidos… E como eles são sabidamente vingativos, logo todos os bolores estavam infectados e não puderam embolorar o queijo, que com isso não se tornou um roquefort (malgrado nosso). Já a bactéria, feliz da vida, foi contar às outras como conseguira se livrar de meio mol de fungos atrevidos.

Moral da história: As bactérias são seres muito estranhos, os fungos são ainda mais esquisitos e os vírus… bem, não falemos nos vírus.

 

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4 Respostas to “Medições fabulosas – O Fungo e a Bactéria”

  1. Lourenço laurelli Says:

    Bom dia Sr. Pedro!

    O senhor sem dúvida é um homem de muitos talentos!
    Como um hábil cozinheiro…ops….um Grand Chef………sabe muito bem combinar divertidos contos com metrologia.
    Esta simpáticas estórias, são como água fresca em meio ao deserto!!!!!
    Parabéns!!!

    L.Laurelli – DMCI

  2. João Rodolfo Hopp Says:

    Espetacular! Nunca ri tanto ao ler uma “fábula”, alem de recordar, de maneira lúdica, tantos conceitos básicos… lastimo apenas, que o queijo não “se tornou” um suculento roquefort… Parabéns!

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