Archive for the ‘Conceitos de metrologia’ Category

Dia Mundial da Metrologia 2019

20 de maio de 2019

O poster de 2019 foi criado pelo “the Standards and Calibration Laboratory”, Hong Kong, China.

Hoje comemoramos o Dia Mundial da Metrologia. O texto a seguir é uma tradução (e ligeira adaptação) do site World Metrology Day, que é suportado pelo BIPM – Bureau International des Poids et Mesures (Escritório Internacional de Pesos e Medidas) e pela OIML – Organisation Internationale de Métrologie Légale (Organização Internacional de Metrologia Legal).

“O tema do Dia Mundial da Metrologia de 2019 é O Sistema Internacional de Unidades – Fundamentalmente melhor. Este tema foi escolhido porque em 16 de novembro de 2018 a 26ª Conferência Geral sobre Pesos e Medidas concordou em promover o que é, talvez, uma das revisões mais significativas do Sistema Internacional de Unidades (o SI) desde o seu início. Pesquisas sobre novos métodos de medição, incluindo aqueles que usam fenômenos quânticos, sustentam a mudança, que entra em vigor justamente no dia de hoje, 20 de maio de 2019. O SI agora é baseado em um conjunto de definições, cada uma delas ligada às leis da física, e tem a vantagem de ser capaz de incorporar novas melhorias na ciência e tecnologia de medição para atender às necessidades dos futuros usuários por muitos anos.

De fato, cada vez mais amplamente a metrologia, a ciência da medição, vem desempenhando um papel central na descoberta e inovação científicas, na produção industrial e no comércio internacional, na melhoria da qualidade de vida e na proteção do meio ambiente global.

O Dia Mundial da Metrologia é uma celebração anual da assinatura da Convenção do Metro em 20 de maio de 1875 por representantes de dezessete nações, o Brasil inclusive! A Convenção estabeleceu a estrutura para colaboração global na ciência da medição e em suas aplicações industriais, comerciais e sociais. O objetivo original da Convenção do Metro – a uniformidade mundial da medição – permanece tão importante hoje quanto em 1875.”

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50° Aniversário do Dia Mundial das Telecomunicações e da Sociedade da Informação

17 de maio de 2019

À esquerda, o poster da primeira comemoração do WTD (ano de 1969).    À direita, o poster do 50° aniversário do WTISD,  em 2019.

Hoje, 17 de maio de 2019, o mundo celebra pela 50ª vez o Dia Mundial das Telecomunicações e da Sociedade da Informação.

O dia marca a fundação, no dia 17 de maio de 1865, da International Telecommunication Union – ITU, organização destinada a padronizar e regular os assuntos relativos ao uso das ondas de rádio e telecomunicações internacionais. A ITU é hoje a organização internacional mais antiga do mundo, e é a agência especializada da ONU para tecnologias da comunicação e informação.

Resumidamente a ITU está assim estruturada:

Radiocomunicações (ITU-R): Responsável pela gestão do espectro de radiofrequência internacional e recursos de órbita de satélite mediante a elaboração de normas para o uso eficaz do espectro de radiofrequências.

Desenvolvimento (ITU-D): Responsável por ajudar a difundir o acesso equitativo, sustentável e barato à infraestrutura e aos serviços de tecnologias de informação e comunicação, com a finalidade de garantir a todos o direito à comunicação.

Normatização (ITU-T): Responsável pela elaboração, a partir do diálogo com o setor industrial, de padrões e normas consensuais sobre tecnologia que garantam o funcionamento, a interoperabilidade e a integração dos sistemas de comunicação em todo mundo. Responsável, também, pelas famosas ITU-T Recommendations series (de A à Z).

A cada aniversário da ITU um tema atual é escolhido, e os eventos que o celebram  ocorrem em todo o mundo. O tema de 2019 Bridging the standardization gap “BSG” (Transpondo o fosso da normalização) permitirá estimular a participação dos países em desenvolvimento no processo de elaboração de normas da ITU, capacitar especialistas locais no processo de padronização e promover a implementação de padrões internacionais nos países em desenvolvimento.

O objetivo geral do programa BSG é abordar as disparidades na capacidade dos países em desenvolvimento em relação aos desenvolvidos para acessar, implementar e influenciar os padrões internacionais da ITU. O programa BSG visa facilitar a participação eficiente dos países em desenvolvimento no processo de elaboração de normas da ITU, disseminar informações sobre os padrões existentes e ajudar os países em desenvolvimento na implementação de padrões.

Pois bem, você faz ideia de quanta metrologia, quanta tecnologia em sistemas de medição essa gigantesca e complexa organização internacional desenvolveu ao longo dos seus 50 anos de existência? Pois então dê uma olhada na ITU-T Recommendations serie O. Se você é do ramo e ainda não conhece, vale a pena uma visita.

 

 

Metrologia em Revista – Ano III – n° 1

25 de abril de 2019

clique na imagem para acessar a revista

A Metrologia em Revista do primeiro trimestre de 2019 explica o que é um cronotacógrafo. Traz, também, uma interessante matéria sobre a verificação inicial em medidores de vazão realizada diretamente nas instalações dos fabricantes, na França e EUA. Confira.

 

O Papel do Livro e outras impressões

23 de abril de 2019

No post anterior falamos da gramatura do papel. Aqui vamos falar da padronização internacional dos tamanhos dos papéis segundo a norma ISO 216 (no Brasil, norma ABNT NBR NM – ISO 216). É importante esclarecer que a norma se aplica a formatos acabados de papel para uso administrativo e técnico, mas não necessariamente a jornais, livros e outros impressos.

Indo direto ao assunto: Quem nunca ouviu falar em “folha de sulfite tamanho A4“? Pois é disso que trata a norma! Ela define os conceitos e os formatos das folhas de papel das séries  ISO-A e ISO-B. Aqui vamos abordar apenas a série ISO-A, mais comum.

Os papéis acima têm diferentes texturas, densidades, gramaturas, aplicações. Todos, porém, têm o mesmo formato: série ISO-A. Mas afinal, o que há de tão especial no formato ISO-A?

Para começar, utiliza-se as unidades de medida do SI (no caso, o metro). O formato é retangular. A divisão do lado maior pelo lado menor é sempre igual a √2. A série A tem início com o formato tamanho A0, com área de 1 m². Os demais tamanhos (A1; A2; A3; A4 etc.) são obtidos dividindo-se ao meio o formato A0, (corte paralelo ao lado menor), sucessivamente, mantendo-se assim a similaridade de formato e metade da área do tamanho anterior.

Muito bem bolado! O “pulo do gato” foi construir um retângulo a partir de um quadrado, usando para isso as dimensões da diagonal e de um lado do quadrado. Acompanhe passo a passo:

No desenho acima, traçamos a diagonal y do quadrado de lado x. Usando a medida da diagonal y formamos o retângulo de base x e altura y. Pronto! chegamos ao formato da série ISO-A.

Agora, observe que a diagonal e dois dos lados do quadrado formam um triângulo retângulo, onde a hipotenusa é y e os catetos são x. Aplicando o teorema de Pitágoras temos que =+, ou seja, =2x².  Extraindo a raiz quadrada de ambos os termos (√y²=√2x²) obtemos… y=x√2. E como √2=1,4142 temos que y=1,4142x. É essa relação que confere proporcionalidade ao formato ISO-A.

Restou, ainda, saber porque os lados do A0, a partir do qual todos os demais tamanhos são definidos, têm essas medidas. Acontece que o A0 precisava ter uma área de 1m² para facilitar os cálculos, pois a gramatura é definida em g/m². Observe:

A área do retângulo é igual ao seu comprimento vezes a sua largura, (no caso, lados y e x). Em metros fica y m X x m=1 m² (y metros multiplicado por x metros igual a um metro quadrado).

Como y m=1,4142x m podemos escrever 1,4142x m X x m=1m², ou seja, 1,4142x² m²=1 m². Extraindo-se a raiz quadrada (√1,4142x² m²=√1 m²) temos que 1,189x m=1 m e que, portanto, x m=1 m/1,189=0,841 m. Daí, se x m é 0,841 m então y m será 1,4142 X 0,841 m=1,189 m. Obtivemos as medidas dos dois lados do A0: 1,189 m e 0,841 m.

O sistema é tão bom que é incompreensível que os EUA não o tenham adotado. Mas, pensando bem, eles também não adotaram o SI, não é… Sorry.

 

O Papel do Livro

22 de abril de 2019

O Dia Mundial do Livro e do Direito do Autor, criado pela UNESCO em 1995, é comemorado anualmente em 23 de abril, dia do falecimento de Cervantes, de Shakespeare e outros escritores importantes. A cidade de Sharjah, nos Emirados Árabes Unidos, foi escolhida como a Capital Mundial do Livro de 2019.

Discorrer sobre o papel do livro na história humana é uma tarefa gigantesca que, obviamente, não cabe em um post. Por isso, não vamos falar sobre o papel do livro, mas sobre alguns aspectos metrológicos do papel de que o livro é feito.

Papéis podem ser feitos de diferentes tipos de matéria prima e ter diferentes tipos de acabamento (papel couché, pólen, offset, sulfite etc.), porém, um dado fundamental é a sua “gramatura”.

A gramatura é a relação entre a massa (peso) do papel e a sua área, e é expressa em gramas por metro quadrado (g/m²). Para uma obra muito extensa opta-se por um papel mais fino e leve, caso contrário a espessura e o peso do livro o tornariam de difícil manuseio. Um livro de arte, entretanto, exige papel mais espesso e mais denso, caso contrário as imagens podem aparecer no verso da folha impressa.

Para medir a gramatura do papel é preciso, entre outras coisas, de uma balança de precisão. Prepara-se uma amostra do papel, por exemplo, um quadrado de 10 cm de lado (usa-se régua e esquadro para isso). Como 10 cm é igual a 0,1 metro, a área da amostra será 0,1 m x 0,1 m, ou seja, 0,01 m². Vamos supor que, após pesar a amostra, obtivemos o valor de 1,203 gramas. Basta, então, dividir esse valor pela área: 1,203 g / 0,01 m² = 120,3 g/m². É claro que para se obter resultados precisos deve-se fazer os ensaios conforme definidos pela norma ABNT NBR NM – ISO 536.

E o tamanho das folhas? Livros podem ser impressos em vários tamanhos e formatos, mas os papéis utilizados pela indústria gráfica, impressoras e copiadoras costumam obedecer ao Padrão Internacional de Tamanhos de Papéis. Poucos países deixam de adotar esse padrão, entre eles os EUA (o que não chega a ser novidade) e o Canadá! Mas este é um assunto para o próximo post.

 

 

 

O Ipem-SP nos Transportes – Produtos

10 de abril de 2019

       Hora do rush na Avenida Prestes Maia – São Paulo – SP       foto: Bruno Takahashi Carvalhas de Oliveira (Domínio Público)

Além dos Instrumentos de medição verificados e fiscalizados pelo Ipem-SP que vimos na primeira postagem sobre o tema (O Ipem-SP nos Transportes – Instrumentos), também são verificados pelo Ipem-SP os produtos pré-medidos, cuja quantidade é definida sem que o consumidor acompanhe o processo de medição. Os aditivos, aromatizantes, ceras, fluídos para freios, fluídos e óleos lubrificantes, fluídos para radiador, massas e líquidos polidores, solução para baterias, xampus e muitos outros, utilizados na manutenção e conservação dos veículos, são verificados para saber se a quantidade de produto contida na embalagem corresponde, de fato, àquela informada no rótulo. Amostras dos produtos são coletadas, diariamente, nos pontos de venda e encaminhadas aos laboratórios do Ipem-SP para verificação metrológica.

fotos: divulgação

Além dos instrumentos e produtos sujeitos à metrologia legal, o Ipem-SP também fiscaliza os produtos e serviços sujeitos à avaliação da conformidade, ou seja, cuja fabricação, instalação ou manutenção só pode ser feita, obrigatoriamente, conforme as normas e os regulamentos técnicos aprovados pelo Inmetro. Capacetes para motociclistas, Cilindros para GNV, Dispositivo de retenção para crianças (cadeiras e assentos de segurança), Extintores de Incêndio, Inspeção em veículos de transporte rodoviário de passageiros, Líquidos para freio hidráulico, Pneus, Rodas automotivas, Vidros automotivos… A lista é realmente longa. São cerca de sessenta produtos e serviços voltados para a segurança no transporte. O Ipem-SP fiscaliza esses produtos (e muitos outros, das mais variadas categorias) e verifica se estes apresentam os símbolos de certificação (selo do Inmetro).

 

fotos: divulgação

 

 

O Ipem-SP nos Transportes – Instrumentos

9 de abril de 2019

Avenida 23 de Maio – São Paulo – SP foto: Folha de São Paulo – Uol

Se existe uma atividade que serve como exemplo de regulamentação metrológica e conformidade de produtos e serviços, essa atividade é o transporte rodoviário, ou seja, os carros, motos, caminhões, ônibus (e até bicicletas) em circulação. Não é difícil entender porque. Além de exigir muito controle metrológico, existem poucas áreas mais sensíveis à segurança do que o transporte, basta ver a quantidade de pessoas vítimas de acidentes nas ruas e nas estradas do País a cada ano.

Por isso, a lista de instrumentos de medição e de produtos sujeitos à metrologia legal que têm a ver com os veículos é muito grande, e maior ainda é a lista de produtos e serviços sujeitos à avaliação da conformidade que regulamentam itens de segurança para esses veículos. Vamos começar pelos instrumentos de medição, por ordem alfabética.

Balanças Rodoviárias

foto: Tecnobal

As balanças rodoviárias são utilizadas nas rodovias e em empresas de vários tipos para pesar os caminhões, de modo a que estes atendam aos limites de peso por eixo estabelecidos pelo Conselho Nacional de Trânsito. Uma vez instaladas, essas balanças são calibradas (foto acima) e estão sujeitas à verificação metrológica feita regularmente pelo Ipem-SP.

Bombas Medidoras de Combustível Líquido

As bombas de combustível são nossas velhas conhecidas. Elas medem e registram a quantidade de combustível fornecida aos veículos e calculam o valor a ser pago pelo consumidor. Bombas de combustível são instrumentos de medir sofisticados, com muita tecnologia digital incorporada. Elas são verificadas pelo Ipem-SP ainda na fábrica (verificação inicial) e também nos postos (verificação subsequente) de modo a manter as suas características metrológicas e coibir práticas abusivas que lesam o consumidor. A fiscalização pode ocorrer a qualquer tempo, várias vezes ao ano.

Cronotacógrafos

Cronotacógrafos são instrumentos de medir e registrar velocidade, tempo e quilometragem percorrida. É utilizado em ônibus, caminhões e outros veículos de transporte para controlar a velocidade, os tempos de parada e de movimento, e a distância percorrida em cada trecho. Essas informações ficam registradas e podem ser usadas em caso de acidente. O seu uso  é obrigatório. Esses instrumentos também estão sujeitos ao controle da metrologia legal.

Densímetros Termocompensados

à esquerda vemos o densímetro fora do copo condensador

Densímetros são usados para determinar a densidade (relação entre a massa e o volume) de vários tipos de substâncias. Este densímetro em particular funciona acoplado à bomba de etanol. Sua presença na bomba é obrigatória, pois é através dele que o consumidor pode verificar se o produto foi adulterado (com o acréscimo de água, por exemplo) ou se mantém a sua composição química sem alteração. Os densímetros são verificados nos laboratórios metrológicos do Ipem-SP antes de serem colocados em uso.

 

Dispensers para Gás Natural Veicular

O gás natural veicular – GNV é fornecido pela concessionária aos postos de combustível através de encanamentos, e os  dispensers são os equipamentos que medem e entregam o GNV aos veículos preparados para consumir esse combustível, a maioria deles, táxis. Dispensers de GNV são similares às bombas de combustível quanto à sua finalidade, porém, enquanto as bombas convencionais exibem o resultado da medição em litros, eles apresentam o resultado em metros cúbicos. Ainda como as bombas de combustível, os dispensers também sujeitam-se ao controle metrológico realizado pelo Ipem-SP, tanto no fabricante quanto nos postos de combustível.

Etilômetros (bafômetros)

Os etilômetros, também conhecidos popularmente como bafômetros, são instrumentos que detectam a concentração de álcool no ar expelido pelos pulmões. A legislação de trânsito brasileira é uma das mais rígidas do mundo a esse respeito, e pune duramente quem for pego pelo bafômetro. Por isso é fundamental que o aparelho apresente resultados confiáveis. O Ipem-SP dispõe de laboratório especializado para a verificação dos etilômetros utilizados pelas autoridades de trânsito.

Opacímetros

A palavra opacímetro vem de “opaco” e designa o aparelho utilizado para medir a “opacidade” da fumaça expelida pelos veículos. Uma sonda é colocada no cano de escape e a fumaça é levada a uma câmara, onde é atravessada por um feixe de luz. Sensores detectam quanta luz atravessa a fumaça e calculam o índice de opacidade. A legislação estabelece limites para emissão desses poluentes de modo a proteger a saúde e o meio ambiente, e o Ipem-SP verifica esses instrumentos. O opacímetro é usado na fiscalização, mas também como ferramenta para diagnóstico de eventuais anomalias.

Radares e Barreiras Eletrônicas

Os Radares e as barreiras eletrônicas são medidores de velocidade utilizados para o controle da velocidade dos veículos nas vias públicas, e fornecem embasamento para eventuais multas de trânsito. Justamente por isso precisam apresentar resultados confiáveis. O Ipem-SP verifica periodicamente esses instrumentos a ver se estão medindo corretamente.

Taxímetros

Taxímetros são instrumentos que medem a distância percorrida pelos táxis e o tempo que estes permanecem parados durante o percurso. O taxímetro calcula automaticamente o valor da corrida em função desses parâmetros, de modo que o consumidor só toma conhecimento do valor a pagar. Por isso é fundamental que eles funcionem corretamente. O Ipem-SP verifica e fiscaliza esses instrumentos pelo menos uma vez ao ano.

Os instrumentos citados acima são aqueles cuja fabricação e desempenho devem atender, obrigatoriamente, à legislação metrológica em vigor. Entretanto, existem muitos outros instrumentos de medição embarcados nos veículos, ou utilizados na sua manutenção, que não estão sujeitos à metrologia legal.  É o caso dos odômetros, velocímetros, termômetros, manômetros (pressão dos pneus), amperímetros, voltímetros, multímetros, vacuômetros etc. Esses instrumentos, embora não sejam fiscalizados pelo Ipem-SP, podem e devem ser calibrados periodicamente.

 

 

 

 

 

 

Dia Internacional da Mulher – 8 de março de 2019

8 de março de 2019

Olhando rapidamente para a ilustração, não se vê muita diferença entre as duas cenas. Afinal, os costumes mudam com a época, mas a mulher continua sendo mulher, não é mesmo?

Bem, isso depende de como se lida conceitualmente com o tema. O Dia Internacional da Mulher não comemora o dia da fêmea humana. Esta, sim, tem permanecido a mesma durante os últimos milênios. De fato, o que se pretende assinalar com esse dia é a dimensão social e cultural da mulher, e isso tem mudado bastante, graças às próprias mulheres.

Basta lembrar que num passado recente as mulheres não tinham, por exemplo, direitos civis! Não estamos falando da idade média, mas do início do século XX, menos de cem anos! E isso acontecia com a mulher europeia, americana, ocidental! No oriente, dependendo do lugar, as mulheres ainda hoje são consideradas incapazes e tratadas com inacreditável brutalidade.

Diferentemente de outras datas comemorativas, boas apenas para movimentar o comércio, o Dia Internacional da Mulher tem valor intrínseco. É um marco mnemônico da longa e árdua luta das mulheres por igualdade civil e pelo direito de ter reconhecidas as suas peculiaridades. Ou seja, 8 de março é uma data que vale mesmo a pena comemorar!

Carnaval 2019

28 de fevereiro de 2019

Carnaval é festa, e a última coisa que a gente quer é estragar a própria festa e a festa alheia. Por isso, dê uma olhada nas dicas para se divertir com segurança:

Rasgue a fantasia! O Ipem-SP fiscaliza todos os produtos têxteis. Na hora de comprar a fantasia, veja a “composição têxtil” informada na etiqueta.  Essa informação é importante porque algumas pessoas são alérgicas a determinadas fibras. A etiqueta também exibe informações sobre o fabricante ou importador, o país de origem, cuidados de conservação do produto e uma indicação de tamanho.

Só dirija se estiver sóbrio! As leis brasileiras são bastante rígidas para os que dirigem alcoolizados, e quem quiser correr o risco pode ser pego pelo bafômetro…. E não vai adiantar comer cebola, chupar bala de hortelã, mascar chiclete, tomar vinagre ou qualquer outra “receita caseira”, pois os bafômetros usados pela polícia são verificados pelo Ipem-SP e nunca se enganam.

Vá de táxi!  Resolveu ir para a folia de táxi? Sábia decisão! O Ipem-SP verifica periodicamente os taxímetros para que estes registrem corretamente o valor da corrida.

Curta com responsabilidade! O preservativo de uso masculino, a conhecida camisinha, deve ter o símbolo do Inmetro na embalagem. Veja também o prazo de validade e não compre se a embalagem estiver danificada. O Ipem-SP fiscaliza  e retira de comercialização as camisinhas irregulares.

Crianças também brincam! No carnaval muita gente usa brinquedo, até as crianças. Antes de comprar brinquedos típicos de carnaval procure o selo de conformidade do Inmetro e observe a faixa etária indicada na embalagem do produto. Brinquedo sem o selo do Inmetro põe em risco a saúde da criança.

No caso de dúvidas, sugestões ou reclamações, fale com a Ouvidoria do Ipem-SP. O telefone é o 0800 – 013 05 22 e a ligação é gratuita.

Boa diversão!

A Metrologia das Tempestades

21 de janeiro de 2019

Formação de cúmulo-nimbo com formato típico de “bigorna” Photo by Hussein Kefel, licensed under Creative Commons

Estamos em pleno verão, época em que as tempestades costumam se formar com mais frequência. Cerca de 70% das nuvens de tempestade, as famosas cúmulo-nimbo (ou cumulonimbus) ocorrem na primavera e no verão, quando a irradiação solar aquece intensamente a superfície e provoca grande evaporação de água. O interior dessa gigantesca formação de nuvens, cuja base escura é o prenúncio de tempestade, abriga ventos fortíssimos, raios e trovões, granizo e muita água.

A metrologia

Tamanho: As nuvens cúmulo-nimbo são enormes. Podem ter entre 10 km e 20km de diâmetro e chegar a mais de 12 km de altura e, excepcionalmente, atingir 20 km de altitude (um avião comercial voa a uma altitude média de 11 km).

Velocidade dos ventos: rajadas que podem chegar a mais de 100 km/h.

Temperatura: a partir de temperaturas de até a 40 °C próximo ao chão, chegam a 0 °C acima da base, aos 4 000 m de altitude, e até a 70 °C negativos no topo.

Precipitação (chuva): Cumulonimbus podem precipitar mais de 60 mm/h. Significa que em apenas 10 minutos a chuva produz uma lâmina de água de 10 mm de altura por metro quadrado. Em uma área de apenas 4 km² esse volume de água equivale a 40 000 000 litros, ou seja, 16 piscinas olímpicas.

Tempo de vida: O ciclo médio de vida entre a formação e a dissipação do cumulonimbus varia entre 30 min a 40 min.

Raios e trovões

Os raios e trovões são um capítulo à parte. As nuvens se eletrificam a partir da colisão entre cristais de gelo, água e granizo no seu interior. A maioria das descargas elétricas fica restrita ao interior da nuvem, mas cerca de 20% delas tocam o solo. Quando ocorre um relâmpago (parte luminosa visível do raio), a tensão elétrica associada pode chegar a 100 milhões de volts, e a corrente elétrica pode chegar a 30 kA (trinta quiloamperes), suficiente para acender 300 000 lâmpadas de LED de 800 lúmens!

Parte dessa energia é convertida em calor. A temperatura do canal ionizado, criado pelo percurso da descarga, é de 30 000 °C (mais de cinco vezes a temperatura na superfície do Sol, que é de, aproximadamente, 5 500 °C .  O calor expande o ar ao seu redor de maneira repentina e, após a descarga, o ar se resfria rapidamente e se contrai abruptamente. A brusca expansão e contração da massa de ar produz as ondas sonoras características do trovão.

Dependendo da intensidade do raio, da topografia do local e da distância, o trovão pode ser percebido como um simples estampido de curta duração ou por um ribombar cujas frequências ficam entre os 20 Hz a 120 Hz (20 hertz a 120 hertz), ou seja, sons muito graves. Próximo ao local da descarga o trovão pode exceder os 120 dB (cento e vinte decibels), um nível de potência sonora equivalente a uma banda de “heavy metal”. A propósito, o decibel (cujo plural pode ser decibels ou decibéis) é uma unidade logarítmica “em uso com o SI”.

A duração média do raio é cerca de 0,2 s (dois décimos de segundo). Como a velocidade da luz na atmosfera é de 1 080 000 000 km/h (arredondados) e a velocidade do som é de apenas cerca de 1 200 km/h (quase um milhão de vezes menor), nós vemos o relâmpago antes de escutarmos o trovão.

Mitos

Os raios e os trovões gerados pelas tempestades sempre despertaram o temor e a curiosidade, e aparecem com frequência em muitos mitos e lendas das antigas civilizações. Uma das mais pitorescas crenças da Europa medieval, e que perdurou até um passado recente, afirmava que a presença do sino protegia contra os raios, e o seu badalar os repelia. Acontece que na maioria das aldeias a igreja ou capela era a construção mais alta, e o campanário que abrigava o sino ficava muito exposto aos raios.

 

O sino, por esse motivo, protegia de fato a aldeia na medida em que recebia a maioria dos raios, mas a crença de que estes eram repelidos pelo dobrar dos sinos acabou vitimando centenas de monges incautos. Essa crença era tão arraigada que muitos sinos traziam uma gravação em seu corpo com a seguinte frase, em latim: Vivos voco, mortuos plango, fulgura frango. A frase significa: Convoco os vivos, pranteio os mortos, rompo os relâmpagos.