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Medições fabulosas – A coruja, a pomba e a águia.

31 de março de 2017
coruja&aguia

Esta fábula pretende ser uma continuação de “A Coruja e a Águia”, de Esopo.

No passado a águia e a coruja haviam sido tão amigas que tinham feito um acordo para que nenhuma delas comesse os filhotes da outra.
O acordo, porém, não deu certo. Acontece que para poder identificar e poupar os filhos da coruja, a águia quis saber como eles eram, mas a coruja os descreveu com tantos predicados e mimos, que quando a águia encontrou um ninho com três monstrinhos dentro não imaginou que fossem os filhotes da amiga, e devorou todos eles.
A partir de então as duas aves tornaram-se inimigas, até uma pomba ter a luminosa ideia de promover a paz entre elas.
Reuniram-se as três no topo de um penhasco, e a pomba começou por mostrar como as duas beligerantes tinham muito em comum.
– Vocês são muito parecidas – disse a pomba – Não tem cabimento continuarem inimigas! Vejam, ambas são excelentes caçadoras, dominam os céus, não temem ninguém e nada escapa à sua visão aguçada.
– Não é bem assim – falou de má vontade a coruja – Eu tenho a melhor visão.
– Não parece – retrucou a águia – a julgar pelo modo como você vê os seus filhotes…
– É você que não consegue distinguir o belo do feio…
– Isso é passado – atalhou rapidamente a pomba – Não falemos mais nisso. Eu quis dizer que ambas têm visão excelente.
– Mas nós, as águias, enxergamos muito mais longe.
– E você esqueceu que eu enxergo à noite? – insistiu a coruja.
– Calma, calma! Você, Dona Coruja, sábia como é, ao menos escute a argumentação da sua amiga Dona Águia.
– Não somos mais amigas, mas se é o que você quer, vamos lá. Prossiga, Águia…
– Pois bem, eu consigo identificar um camundongo em movimento, na relva alta, mesmo quando estou voando a 4.000 metros de altura.
– Enxergar à luz do dia qualquer um enxerga – desdenhou a coruja – A sua vantagem é apenas quantitativa. Eu, ao contrário, consigo ver o mesmo camundongo a oitenta metros, numa noite sem lua, quando a intensidade luminosa e o fluxo luminoso estão reduzidos ao mínimo!
– Lá vem ela com cientificismos – reclamou a águia – Dá para traduzir?
– Com prazer! Intensidade luminosa é a concentração de luz, numa direção dada, de uma fonte que emite uma radiação monocromática de frequência 540 x 10¹² hertz e cuja intensidade energética naquela direção é 1/683 watt por esterradiano. A unidade SI é a candela…
– Essa coruja só pode estar brincando!
– …enquanto fluxo luminoso é a radiação total emitida por uma fonte puntiforme e invariável de 1 candela, de mesmo valor em todas as direções, no interior de um ângulo sólido de 1 esterradiano. A unidade SI é o lúmen.
– Eu vou estraçalhar essa tratante!
– Calma, Dona Águia – interveio a pomba – Aposto que a Dona Coruja vai explicar isso melhor.
– Tudo bem – falou a coruja com ar superior – Podemos dizer que intensidade luminosa é a concentração de luz numa dada direção específica, irradiada por segundo, enquanto fluxo luminoso é a radiação emitida em todas as direções por uma fonte de luz, como numa lâmpada, por exemplo.
– Não sei porque perco o meu tempo com essa orelhuda – disse a águia – Somos de mundos diferentes. Em comum, mesmo, só temos o paladar.
– É verdade, completou a coruja – Ambas caçamos ratos, cobras, rãs, lagartos, às vezes até pombas…
– Às vezes até pombas – concordou a águia, com uma expressão estranha – às vezes até pombas…
Não é preciso dizer que a amizade entre a coruja e a águia foi restabelecida e selada com um jantar ao entardecer, no qual a pomba teve participação especial.

Moral da história: Se você tiver a brilhante ideia de conciliar rapinantes, certifique-se de não estar no cardápio deles.

Dia Mundial da Fotografia

24 de agosto de 2011

lensface

Pois é, o dia mundial da fotografia foi agora, em 19 de agosto! E quase passa batido por aqui, o que seria uma grande injustiça. Para quem lida com comunicação visual a fotografia é base, é ponto de partida, é o princípio de tudo!

É claro que desde a invenção do daguerreótipo até hoje muita coisa mudou. A tecnologia para registro de imagem desenvolveu-se tanto que fica até difícil comparar a fotografia de hoje com aquela inventada por Louis-Jacques-Mandé Daguerre e acolhida pela Academia de Ciências e Artes de Paris  justamente em 19 de agosto de 1839.

A grande revolução no processo fotográfico se deu com a digitalização, coisa corriqueira hoje em dia mas que representou uma mudança radical na  fotografia. Desde a invenção do daguerreótipo até muito recentemente, o processo de registro de imagens era químico. Utilizava-se uma emulsão de haletos de prata, sensível à luz, sobre uma base. A fotografia digital veio mudar completamente  a tecnologia fotográfica. Em razão disso, nunca se fotografou tanto como hoje. Todo mundo tem acesso a uma câmera, e a câmera está em toda parte. Vivemos, definivamente, na era da imagem fotográfica (lembre-se que cinema é fotografia em movimento).

Finalmente, e apenas para não perder o costume, vale lembrar que a fotografia também  utiliza recursos de medição como os processos de telemetria (medição óptica de distância) e fotometria (medição da incidência da luz). Então, obrigado Monsieur Daguerre.

Medições Fabulosas: O Pelicano guloso

25 de fevereiro de 2011

 

Era uma vez um pelicano guloso. Todos os pelicanos são naturalmente comilões, mas este era um glutão cujo olho parecia maior que o bico, e olha que bico de pelicano não é nada pequeno.

O nosso pelicano não se cansava de mergulhar em busca de peixes cada vez maiores, até que um dia notou, enquanto sobrevoava a costa, um cardume de grandes peixes que lhe pareceram apetitosos.

– Que maravilha! – Comentou o pelicano com a gaivota mais próxima. – Olha que belo cardume! Vou encher o bico!

– Aqueles peixes são muito grandes para você. – Respondeu a gaivota.

– Que nada! – Retrucou o pelicano –  Eles cabem muito bem na bolsa do meu bico e ainda sobra espaço…

– Vá com calma. – Aconselhou pacientemente a gaivota, e explicou:  – Eles apenas parecem menores porque estamos voando muito alto. Quando estamos muito distantes de um objeto fica difícil avaliar o seu tamanho real.

– Lá vem você com essa mania de medir as coisas. – Respondeu o pelicano, que não entendia coisa alguma de óptica e nem de metrologia. –  Pois eu não preciso medir nada, tudo cabe no meu bico.

Dizendo isso o pelicano mergulhou lá do alto em direção ao cardume de peixes. Tibum! Caiu bem no meio de uma família de tubarões! Quase foi devorado. Saiu de lá com muito custo e, ainda tremendo, teve que agüentar a gozação da gaivota.

 Moral da história:  Não dá para levar todo mundo no bico.  Antes de encarar, é melhor medir primeiro.