Metrologia em Revista ano IV nº 4

15 de janeiro de 2021 by

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Esta edição da Metrologia em Revista, que corresponde ao quarto trimestre de 2020, aborda, entre outros interessantes assuntos, a candente questão das vacinas do ponto de vista metrológico. Confira!

Televisores

8 de janeiro de 2021 by

O tamanho da tela é dado pela sua diagonal. A etiqueta ENCE traz o valor em centimetros e também em polegadas.

Como muitos outros aparelhos elétricos, os televisores devem apresentar, obrigatoriamente, a Etiqueta Nacional de Conservação de Energia – ENCE, que informa sobre o consumo de energia do produto e possibilita ao consumidor optar por aquele que apresenta menor consumo.

Tudo começou com o Programa Nacional de Conservação de Energia Elétrica – Procel criado pelo governo federal em 1985 para promover o uso eficiente da energia elétrica e combater o seu desperdício. O Inmetro tornou-se parceiro do programa e passou a estabelecer os requisitos técnicos para definir a “eficiência energética” de muitos produtos.

No caso dos televisores, a Portaria Inmetro n.º 563/2014 torna obrigatória a Declaração do Fornecedor no âmbito do Sistema Brasileiro de Avaliação da Conformidade – SBAC, e estabelece uma série de requisitos técnicos que estes aparelhos devem cumprir, com exceção daqueles acima de 65 polegadas e menores que 13 polegadas.

E por que, afinal, as telas das TVs são medidas em polegadas? Acontece que o televisor foi desenvolvido pelos americanos, que adotam o antigo e obsoleto Sistema Imperial Inglês e até hoje não aderiram ao Sistema Internacional de unidades – SI. No Brasil as primeiras TVs eram importadas, e mesmo quando passaram a ser produzidas aqui, os fabricantes mantiveram os padrões americanos.

Hoje, como todos sabem, a Resolução Conmetro nº 08/2016  é clara ao “adotar no Brasil, obrigatória e exclusivamente, as unidades de medida aprovadas pela Conferência Geral de Pesos e Medidas (CGPM)”. E ainda, que “Devem ser utilizadas as seguintes unidades de medida: a) unidades de base do SI (Sistema Internacional); b) unidades derivadas das unidades de base do SI; c) múltiplos e submúltiplos das unidades do SI; e, d) unidades fora do SI aceitas para uso pela CGPM.”.

Assim, a dimensão das telas de TV é dada em centimetros, porém manteve-se a referência em polegadas por respeito aos hábitos dos consumidores e da indústria.

BOAS FESTAS E FELIZ ANO NOVO

21 de dezembro de 2020 by

Não é preciso dizer que o ano de 2020 tem sido difícil, como também não é preciso enumerar os motivos que levam muitos a classificá-lo como “um ano para esquecer”.

Aqui no Ipem-SP, apesar de tudo, conseguimos manter operantes as atividades essenciais de fiscalização, sem as quais a legislação não é cumprida adequadamente e os cidadãos ficam desprotegidos.

Já o ano de 2021, que está logo ali, nos promete vacinas, controle da pandemia, retomada da economia, empregos e tudo o mais que precisamos para voltar à normalidade.

Que assim seja!

Boas festas, sem aglomerações, e Feliz 2021!

Medidor de Transmitância Luminosa

14 de dezembro de 2020 by

Medidor de Transmitância Luminosa acoplado ao vidro. foto: divulgação

Tem sido cada vez mais comum o uso de películas nos vidros dos veículos. Existem vários tipos, com diferentes funções, como para impedir o estilhaçamento em caso de impacto, reduzir a incidência dos raios ultravioleta e, o que é mais comum, simplesmente escurecer os vidros. Acontece que a película, sobretudo a escura, dificulta a passagem da luz e, consequentemente, acaba reduzindo a visibilidade.

A Resolução Contran nº 254/2007 estabelece que o para-brisas (com película ou não) não pode ter transmissão luminosa inferior a 75% para os vidros incolores, e 70% para os coloridos e demais vidros indispensáveis à dirigibilidade do veículo.

A única maneira de verificar se esses limites estão sendo respeitados é medindo a transmitância luminosa dos vidros, o que é feito pelo Medidor de Transmitância Luminosa.

Transmitância luminosa é a quantidade de luz que atravessa um meio (no caso, o vidro e a película), dada em percentual. O medidor de transmitância luminosa é dotado de um emissor e de um receptor de luz. A luz produzida pelo emissor atravessa o vidro e é registrada no receptor. Um processador eletrônico calcula a diferença entre a luz emitida e a luz recebida e informa o resultado, em percentual, no display.

O medidor da foto tem dois módulos. O módulo emissor é fixado ao vidro por meio de ventosas. O módulo frontal, onde fica o receptor e o display, é alinhado a ele do outro lado do vidro, de modo que o feixe de luz do emissor chega ao receptor passando através do vidro. Foto: divulgação.

Existem vários modelos de medidores, nacionais e importados. Porém, quando utilizados para avaliar a transmissão luminosa para efeito da fiscalização pela autoridade de trânsito, o Medidor de Transmitância Luminosa está sujeito ao controle da metrologia legal e precisa ser aprovado pelo Inmetro.

Como todo instrumento de medição sujeito à metrologia legal, o Medidor de Transmitância Luminosa deve ter modelo aprovado pelo Inmetro e precisa passar por verificação inicial antes de ser comercializado, e passar por verificação subsequente periódica uma vez a cada doze meses. Confira a Portaria Inmetro nº 64/2006 que trata do assunto.

Artigos Escolares

7 de dezembro de 2020 by

Foto: divulgação

Segundo o Inmetro, Artigo Escolar é qualquer objeto ou material, podendo ser produzido com motivos ou personagens infantis, projetado para uso por crianças menores de 14 anos, com ou sem funcionalidade lúdica, a ser utilizado no ambiente escolar e em atividades educativas.

A Portaria Inmetro nº 481/2010 institui, no âmbito do Sistema Brasileiro de Avaliação da Conformidade – SBAC, a certificação compulsória para Artigos Escolares, a ser realizada por Organismo de Avaliação da Conformidade – OAC acreditado pelo Inmetro. São os seguintes os artigos cuja certificação é obrigatória:

Apontador; Borracha; Canetas esferográfica e hidrográfica; Cola; Compasso; Corretor; Curva francesa; Esquadro; Estojo com motivos infantis; Giz de cera; Lápis (exceto de uso artístico/profissional); Lapiseira com grafite de até 1.6 mm; Marcador de texto; Massa de modelar (exceto de brinquedo ou uso artístico/profissional); Massa plástica (exceto argilas ou de uso artístico/profissional); Merendeira e acessórios; Normógrafo; Pasta com aba elástica; Régua; Tesoura de ponta redonda; Tintas guache, nanquim, plástica, aquarela etc. (exceto de uso artístico/profissional); Transferidor.

Os critérios do programa de avaliação da conformidade para Artigos Escolares tem como foco a segurança, atende os requisitos da norma ABNT NBR 15236 e busca minimizar a possibilidade de ocorrerem acidentes de consumo que coloquem em risco a saúde e segurança das crianças com idade inferior a 14 anos.

O Selo de Identificação da Conformidade no âmbito do SBAC, colocado nos artigos escolares certificados, identifica o produto submetido ao processo de avaliação da conformidade e comprova que este atendeu aos requisitos das normas e regulamentos técnicos.

 

 

 

 

 

Antes de um artigo escolar ser colocado para comercialização os distribuidores e lojistas devem verificar se o mesmo ostenta o Selo de Identificação da Conformidade.

Não compre artigo escolar que não tenha o Selo de Identificação da Conformidade do Inmetro.

 

SEMINÁRIO DE METROLOGIA LEGAL – ENQUALAB – FEIRA VIRTUAL QUALIDADE EM METROLOGIA

19 de novembro de 2020 by

A Remesp – Rede Metrológica do Estado de São Paulo promove, no fim de novembro e começo de dezembro, três eventos extremamente importantes para a metrologia no país. A 7ª edição do Enqualab, tradicional congresso de metrologia, o III Seminário de Metrologia Legal, e a Feira “Qualidade em Metrologia”. Todos os eventos são virtuais. Confira:

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A 7ª edição do ENQUALAB, Congresso de Qualidade em Metrologia, Laboratórios e Indústria, ocorre entre os dias 30 de novembro e 02 de dezembro de 2020, por meio de plataforma virtual. O Ipem-SP participará no painel 3, dia 1º de dezembro, com a presença  do Especialista em Metrologia e Qualidade William Escaletti dos Anjos, na qualidade de debatedor.

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O III Seminário de Metrologia Legal acontece no dia 03 de dezembro de 2020, também em ambiente virtual. O Ipem-SP participará da solenidade de abertura, com o Superintendente do Ipem-SP, Ricardo Gambaroni, às 9 horas.

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A Feira Virtual – QUALIDADE EM METROLOGIA Laboratórios e Indústria é um espaço destinado para empresas exporem os seus negócios. A feira é em ambiente virtual 3 D, e a visitação é gratuita, basta se inscrever e pegar o seu avatar. O Ipem-SP estará presente com o seu estande virtual.
Os três eventos são de grande interesse para a comunidade metrológica. Inscreva-se nas palestras e visite a feira virtual!

Copos descartáveis para venda de bebidas

21 de outubro de 2020 by

Sabe aqueles copos vistosos usados pelas redes de fast food e cafeterias para venda de refrigerante, café etc.? Pois então, esses copos devem trazer, obrigatoriamente, a informação da sua capacidade volumétrica e, também, uma marca de referência. É o que estabelece o Regulamento Técnico Metrológico anexo à Portaria Inmetro n.º 199/1993.

Tecnicamente esses copos (e taças, cálices, xícaras etc.) são chamados de medidas de capacidade descartáveis utilizadas na medição e comercialização de bebidas para consumo imediato. As bebidas podem ser leite, café, mate, sucos, refrescos, refrigerantes, água mineral, cervejas, e outras bebidas de teor alcoólico ou não.

A Portaria também estabelece que serão aceitos apenas os seguintes valores nominais para esses copos: 50 ml; 100 ml; 200 ml; 250 ml; 300 ml; 400 ml; 500 ml; 700 ml; 1000 ml e 1.300 ml.

A verificação e fiscalização dessas medidas de capacidade são realizadas nas empresas que efetuam a marcação, que comercializam as medidas, e que utilizam medidas. Todas são responsáveis.

O controle metrológico

As medidas de capacidade estão isentas de verificação periódica, ou seja, são verificadas pela fiscalização apenas no fabricante e, quando solicitado, no ponto de venda ou de utilização (verificação eventual). O controle metrológico é feito sob dois aspectos:

Volume nominal da medida. A marcação do valor nominal (capacidade do copo) e a marca de referência (traço que indica o nível) devem estar corretos. O copo com capacidade para 300 ml até a marca, por exemplo, não pode apresentar erro superior a 3%, ou seja, 9 ml.

Medição de volume com a medida. Não adianta a capacidade estar correta se quem for colocar a bebida no copo não respeitar a marca e colocar menos bebida. A tolerância, nesse caso, é de 8% para volumes inferiores a 100 ml, e 5% para volumes iguais ou superiores a 100 ml. No nosso exemplo, 15 ml. Ou seja, é preciso ficar atento, principalmente quando a bebida é fornecida por máquinas “post mix”.

Acontece que, muitas vezes, o copo é preenchido com bastante gelo antes de ser completado com a bebida. Porém, se o gelo for colocado antes, você pagará pelo gelo, pois este ocupa o espaço que o refrigerante deveria ocupar no copo. Por via das dúvidas, caso você queira mais gelo, peça para que ele seja colocado depois. Quer saber mais sobre copos descartáveis? Acesse Portaria Inmetro n.º 199/1993. 

 

Metrologia em Revista ano IV, nº 3.

14 de outubro de 2020 by

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A edição da Metrologia em Revista deste terceiro trimestre de 2020 discorre sobre o indispensável Gás Liquefeito de Petróleo, o popular botijão de gás de cozinha, e as suas múltiplas conexões com as atividades de fiscalização do Ipem-SP. Dê uma espiada!

Fuso horário, como funciona.

30 de setembro de 2020 by

O tempo é um assunto recorrente aqui no Almanaque, e já o abordamos de muitas maneiras. Neste post vamos ver em que se baseia uma das formas mais corriqueiras de medição do tempo, ou seja, como definimos as horas em cada lugar do planeta.

Como todos sabemos, a Terra tem forma muito próxima de uma esfera (a Terra não é plana!). Assim, a sua superfície foi dividida em 24 partes, cada uma delas correspondendo a uma hora do dia. São os fusos horários, cujo nome tem a ver com a forma de fuso que essas áreas têm em razão da divisão dos 360º da Terra pelas 24 horas do dia. Os fusos horários são marcados por sucessivos meridianos, a cada 15º, a partir do meridiano de Greenwich, estabelecido em 1851. Ele passa sobre o Observatório Real de mesmo nome, nos arredores de Londres, e é, por convenção, o “marco zero” de longitude, ponto inicial dos fusos horários e ainda divide o globo terrestre em ocidente e oriente.  O “Greenwich Mean Time – GMT” (tempo médio de Greenwich) se baseia no movimento de translação da Terra. Como a velocidade da Terra é irregular, atualmente usa-se o Coordinated Universal Time – UTC” (Tempo Universal Coordenado), baseado nos relógios atômicos. Na prática, entretanto, não há diferença significativa entre a hora GMT e a hora UTC.

Fusos horários. Clique para ampliar. Mapa: IBGE

Assim, a partir de Greenwich, os fusos horários do ocidente (a oeste do meridiano) marcam horas decrescentes, enquanto a leste do meridiano (oriente) as horas são crescentes. Por exemplo: quando é meio-dia em Greenwich, em Brasília são nove horas da manhã e, em Moscou, três horas da tarde. Isso acontece porque o movimento aparente do sol é no sentido Leste-Oeste (na verdade, é a terra que gira no sentido Oeste-Leste). Assim, quando amanhece um novo dia em Moscou, digamos, cinco horas da manhã, em Brasília ainda é noite do dia anterior, no caso, vinte e três horas (onze horas da noite), pois a diferença de fuso horário é de seis horas.  Embora a hora local esteja vinculada à faixa que cada fuso horário define sobre a superfície terrestre, a decisão de adotar este ou aquele fuso é política, de modo que o horário nos diferentes locais do globo não obedecem exatamente aos fusos. Confira no mapa do Fuso Horário Civil, acima.

Vale lembrar que a hora oficial do Brasil, é responsabilidade do Observatório Nacional (designado pelo Inmetro para realizar essa atividade), com a utilização de relógios atômicos. O Inmetro está implantando um padrão primário de tempo e frequência, um relógio atômico a feixe térmico baseado em átomos de césio, com precisão de um segundo em um milhão de anos, desenvolvido no Instituto de Física de São Carlos (IFSC), da Universidade de São Paulo (USP), e transferido para o Inmetro.

Por ser um país de dimensões continentais, o Brasil tem quatro fusos horários. Veja que, no mapa acima, as áreas de mesmo horário não respeitam exatamente as áreas definidas pelos meridianos.

No arquipélago de Fernando de Noronha (e nas ilhas Trindade e Martin Vaz, atol das Rocas e arquipélago de São Pedro e São Paulo) a hora local corresponde a duas horas a menos em relação ao UTC.

São Paulo, e todos os Estados da área amarela, tem o mesmo fuso horário de Brasília. A hora local corresponde a menos três horas em relação ao UTC.

Amazonas, e todos os Estados da área verde, fica no fuso horário da Amazônia, onde a  hora local corresponde a quatro horas a menos em relação ao UTC.

O Acre que fica no fuso horário do Acre, na área azul, onde a hora local corresponde a cinco horas a menos em relação ao UTC.

Chegou o equinócio… de primavera!

22 de setembro de 2020 by

Representação da posição Terra em relação ao Sol no equinócio.

É tradição, aqui no Almanaque, marcarmos cada mudança de estação do ano (os solstícios e equinócios) com um post. Chegamos a mais um equinócio de primavera!

E o que é que a metrologia tem com isso? Ora, a concepção mesma de latitude é uma abordagem metrológica. É a metrologia aplicada à Geodésia. Para quem não se lembra, latitude e longitude são linhas imaginárias marcadas sobre o globo terrestre, que permitem medir distâncias e localizar um ponto na superfície do planeta. Isso é feito com os chamados paralelos e meridianos.

Os meridianos são traçados de polo a polo, verticalmente ao equador. Marcam a longitude. O principal deles é o meridiano de Greenwich, que passa pela cidade do mesmo nome na Inglaterra e divide o planeta em oriente e ocidente. Também é o marco inicial de longitude e dos fusos horários.

Os paralelos, como diz o nome, são linhas traçadas paralelamente ao equador e delimitam, entre outras coisas, as zonas tropicais e polares. Marcam a latitude. Os trópicos (de Câncer no hemisfério norte e de Capricórnio no hemisfério sul) delimitam as zonas tropicais e marcam o ponto mais ao norte, ou mais ao sul, dos solstícios de verão e de inverno. O solstício ocorre duas vezes ao ano (dezembro e junho) e marca o momento de maior diferença de duração entre o dia e a noite.

E a primavera?  Pois a primavera, assim como o outono, começa no dia do equinócio! É o momento em que a eclíptica (trajeto aparente do sol) cruza o equador. Equinócio significa noites iguais, tanto o dia como a noite têm a mesma duração nesse dia. O ano tem dois equinócios, em março e em setembro. Quando é primavera aqui no hemisfério sul, é outono no hemisfério norte, e vice versa. Este ano o equinócio da primavera no Hemisfério Sul (outono no Hemisfério Norte) ocorre no dia 22 de setembro, às 10 horas 30 minutos e 36 segundos, pelo horário de Brasília.

Até aqui nos referimos ao equinócio de primavera, um conceito astronômico. Porém, do ponto de vista meteorológico esse dia marca o início da estação do ano que se caracteriza por um aumento gradual da temperatura, com as conhecidas consequências para o clima, a flora, a fauna, a agricultura etc.

Ah! Não nos esquecemos da abordagem romântica da primavera, a estação das flores, dos amores e dos humores, mas deixamos isso para os poetas.